Transformação de negócios: 4 aplicações do Blockchain
Conheça todo o potencial desta tecnologia para os negócios
Por Lucas Monteiro

Diretor de Negócios
Compartilhe:

Um dos maiores temas do fim de 2017 e até o momento, o Bitcoin e as moedas digitais chamam muita atenção nos noticiários, rodas de conversa e nas companhias de todo o mundo. Em especial para as do mercado financeiro. Encontramos polarizações de todos os lados, assim como muita confusão acerca do tema, a começar pelo entendimento entre o que é um blockchain e o que são as moedas digitais. As aplicações de negócio são muito diversas e ainda pouco exploradas, algo que tende a mudar.

O primeiro ponto que precisa ficar claro é todo esse novo glossário que surgiu com o advento do Bitcoin. E para isso é necessário remontar à sua misteriosa origem. Ele nasceu de um paper chamado Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System, publicado em 2008 em um fórum de criptografia. O autor era Satoshi Nakamoto, uma figura misteriosa sob um pseudônimo que pode ser tanto uma pessoa como um grupo de programadores. Durante o curso da história do Bitcoin vários tentaram se passar por ele/eles ou, até mesmo, foram erroneamente atribuídos como o criador mas a verdade é que sua identidade permanece uma incógnita. O que vale, no entanto, é que o produto final, o código, foi publicado no GitHub e qualquer um pode acessar, e até mesmo replicar. Ele é open-source.

Atendo-se a genialidade de seu conteúdo, o paper falava sobre um sistema de trocas financeiras entre pessoas, sem necessariamente uma unidade centralizadora, como é o caso de um banco. Toda a tecnologia era baseada na confiança que se tinha na rede, criptografada, incorruptível e organizada em blocos (daí que vem o Blockchain, mas já chegamos lá). Veja o desenho, segure a ansiedade que explico melhor.

Uma tecnologia pautada na confiança

A rede do Bitcoin (e outras moedas digitais) é pautada em blocos e cada bloco carrega em si uma série de transações escritas. Digamos que eu paguei para você 5 Bitcoins e você pagou 2 Bitcoins para outro amigo. Nossas transações são escritas nesses blocos, como se fosse um livro caixa, mas totalmente descentralizado. A cada 10 minutos em média é criado um novo bloco na rede, que vai registrar outras transações que tenham ocorrido nesse período e assim por diante. Cada novo bloco carrega consigo uma hash, que seria o equivalente a uma assinatura, uma marcação, que identifica que ela é subsequente ao bloco anterior. Isso ocorre em uma cadeia infinita de blocos, sendo que todos tem uma marca temporal. Esse é um ponto fundamental quanto à segurança do Bitcoin, pois para se “hackear” essa rede seria necessário alterar toda a cadeia de blocos que estão “amarrados” entre si por essas hashs e marcas temporais.

Você pode estar se perguntando… OK, mas ainda assim, qual seria a dificuldade de se “hackear” toda essa rede? E se isso ocorrer? Não ocorre. E esse é um dos principais pontos da tecnologia quanto à inovação mas também quanto à segurança. A rede é descentralizada, ou seja, ela vive em uma série de nós. Todo computador que se conecte a rede é considerado um nó e ele tem o mesmo conteúdo de blocos baixados neste computador. Não há um servidor central que possa ser “hackeado” ou, mesmo. alterado. As transações e a criação de novos blocos são feitas pelo processamento de dados dos chamados “mineradores”. E o que os incentiva a fazer isso? É que a rede automaticamente remunera (em Bitcoin) os responsáveis pelo processamento de novos blocos. Atualmente, o poder de processamento da rede é 7.500 vezes superior aos 500 supercomputadores existentes no mundo. Ou seja, para alterar dados do passado – como uma transação que eu tenha feito a você ou vice versa -, seria necessário que você tivesse 3,7 milhões de supercomputadores à sua disposição. E não apenas isso: a criptografia teria de ser quebrada até a criação do próximo bloco (cerca de 10 minutos). Missão impossível? Até o momento, sim. Trago uma imagem de uma empresa de mineração. São milhares de computadores conectados minerando e recebendo em Bitcoins a cada novo bloco processado.

Disseminação no mercado financeiro

Explicado o funcionamento da rede (eu sei, não é assim tão simples), começam a ficar claros alguns termos dessa nova seara tecnológica. O Bitcoin foi a moeda precursora e a Blockchain é a tecnologia dessa moeda, que nasceu junto com ela. Mas frente ao frenesi da mídia há ainda um termo muito lembrado, o de criptomoedas (ou moedas digitais), que nada mais é que um acrônimo de criptografia e moedas. Está lembrado de que o código do Bitcoin havia sido disponibilizado no GitHub de forma open-source? Pois então, depois dele nasceram outras moedas digitais usando a mesma base de código, porém permitindo que alterações e melhorias fossem feitas por desenvolvedores para a construção de soluções customizadas. Isso permitiu um boom em criações que somam hoje mais de 1.600 criptomoedas, com mais de 11 mil corretoras especializadas que permitem a compra e venda delas.

Este cenário multiplicador gerou um mercado com valoração de mais de 795 bilhões de dólares no início de 2018. Depois vieram as fortes – e naturais -, correções negativas. No Brasil, em especial no final de 2017, houve um aumento repentino de investidores em criptomoedas, tendo mais do que o dobro de pessoas cadastradas do que na bolsa de valores. Caso tenha interesse em investir há uma série de corretoras brasileiras, como a BitcoinTradeMercado BitcoinFoxbit, entre outras. Mas sem se ater ao tema investimento, há uma série de aplicações de negócio que são muito interessantes também.

Novos mercados, infinitas possibilidades

Voltando no tempo, em meados de 2015 foi lançada uma nova plataforma de Blockchain, a Ethereum, que, se perceber na imagem anterior, ocupa a segunda posição em valor de mercado, logo abaixo do Bitcoin. O grande diferencial dessa aplicação foi a introdução dos chamados Smart Contracts (ou contratos inteligentes). Consiste em podermos aplicar regras de negócios em contratos entre as partes envolvidas usando todo o potencial do Blockchain, com suas garantias de segurança, além de todo um sistema de troca de valores embutido. Alguns novos negócios estão sendo pautados nessa nova possibilidade. Confira alguns exemplos:

Contratos de aluguel

Trazendo para nossa realidade, desenho aqui um exemplo hipotético. Digamos que quero alugar um apartamento e preciso de um contrato para tal, que tenha descrito meus deveres e obrigações além dos valores que preciso pagar mensalmente. Por meio de um contrato inteligente é possível programar tais regras de negócio de forma que eu, automaticamente, pague o locador todos os meses, descontando em criptomoeda, e ele tenha a garantia de que tudo está seguindo de forma correta, sem a necessidade de um intermediário.

Evitando fraudes na emissão de diplomas

Outro exemplo, este já de aplicação real, universidades na Grécia estão testando a aplicação para gerar maior segurança na sua emissão de diplomas. De forma geral temos uma série de etapas até chegarmos no final de uma graduação (como passar em todas as matérias). O que a Blokchain permite, nesse caso, é que todo o processo obrigatoriamente seja cumprido e registrado na rede. E por meio do contrato inteligente, ao final de todas as etapas estarem concluídas, emite-se o certificado para o graduando. Isso garante que não se tenham diplomas falsos circulando, uma vez que não é possível alterar o rastro de registros da Blockchain. Um fraudador não poderia, por exemplo, alterar a informação de que ele não passou em determinada matéria da graduação. Sendo assim, ele não teria acesso ao diploma até que tudo estivesse 100% checado.

Marketing de resultado

Outro mercado que ainda está engatinhando com o uso do Blokchain é o de soluções de marketing. Porém, já apresentou crescimento de 400% entre plataformas novas que surgiram nos últimos 6 meses, usando o primeiro trimestre de 2018 como referência. Algo que se assemelhou muito ao crescimento de mídia programática que é tradicionalmente retratado pelo LUMAscape. Em tempos de grandes questionamentos quanto ao volume de fraudes em veiculações, adoção de métricas de verificação de campanha, necessidade de maior transparência, a tecnologia do Blockchain parece servir como uma luva.

Rastreabilidade dos produtos: da matéria-prima à casa do consumidor

Por fim, um segmento que acredito que passará por um grande impacto é o de Supply Chain (cadeia de suprimentos), com transportes, armazenagem e rastreabilidade de produtos. Os consumidores estão cada vez mais despertando e exigindo saber a procedência de seus produtos, sejam alimentos, roupas, eletrônicos ou qualquer categoria rastreável. Tudo isso, é claro, só faz sentido se os registros forem extremamente seguros e inalteráveis em qualquer etapa da cadeia, evitando situações constrangedoras ou nocivas para consumidores e ações de má-fé de empresas, como o caso da Tesco em 2013 que estava oferecendo hambúrgueres com carne de cavalo.

 

A transformação digital é assunto do presente, e nós aqui na A2C estamos ajudando várias empresas nesse processo. Quer sabre mais sobre o assunto? Preparamos um infográfico sobre o tema.

Confira também aqui em nosso blog, como inovação tem sido estratégia chave para o crescimento das empresas.

 

 

Compartilhe:

RECEBA
NOVIDADES
DA A2C

E-mail cadastrado! Aguarde nossas novidades.