Aprender, desaprender, reaprender – desafio para pessoas e organizações
Resenha da palestra de Zeca de Mello que encerrou a Expogestão 2019
Por Karina Silveira

Gestora de Negócios
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Zeca de Mello subiu ao palco no último dia da Expogestão 2019 com a missão de fechar o evento, e – na minha opinião – a realizou com maestria.

Com um tom de voz forte e marcante iniciou sua fala abordando sobre os profetas da mudança, aquelas pessoas que adoram apontar a necessidade de transformação no outro, sempre olhando para fora. Mas quando altera o foco e precisa olhar para si mesmo, aí a coisa muda de figura. Ainda nesse sentido, Zeca seguiu realizando uma provocação na plateia com uma pergunta: O que é importante levar daqui? Não havia resposta certa ou errada, não era pra ninguém levantar e responder, era sua técnica de pergunta retórica atuando como fio condutor e dando dicas do que viria a partir daí.

Ele conversou muito diretamente com gestores e líderes das organizações ali presentes, pois falar de pessoas e de comportamento humano é algo tão essencial nos dias de hoje, que tenho certeza, impactou (em maior ou menor grau) a todos que o assistiam.

As lições iniciais: Aprender

Ao contar sobre sua trajetória de vida, abordou o sistema de ensino ao qual foi criado, e ao qual a maioria de nós e de nossos filhos ainda são criados, onde saber a resposta e ter boa memória é o que faz diferença para maiores ou menores notas, e consequentemente, um desempenho considerado melhor que os demais. A “Escola das respostas certas” se tornou absolutamente conflitante com os desafios do mundo corporativo atual. Dou exemplos:

Na empresa: aqui você precisa pensar fora da caixa

Na escola você aprendeu: aqui você precisa (decorar) aprender a resposta.

Na empresa: aqui a gente trabalha com colaboração.

Na escola você aprendeu: pra ter sucesso você precisa se virar sozinha, não contar com ninguém.

E a partir disso, qual é o grande desafio das lideranças? Mudar uma cultura enraizada no colaborador, gerando uma cultura que inspire e seja pautada pela confiança mútua. Você não gera engajamento onde não há confiança.

“Nem a faca, nem o queijo, eu quero a fome” Adelia Prado.

Com essa frase, o palestrante fez a reflexão sobre o desejo e a curiosidade que nunca podem se perder. Não basta ter recursos e potencial, se as pessoas perderam a fome e o desejo de lutar por algo.

A grandeza de uma crise: Desaprender

Não existe vida sem crise. As crises são nossas maiores professoras e é através delas que conseguimos ir até o mais profundo estágio de si mesmo e se olhar nos olhos, aprendendo com a experiência sobre quem você é e o que está fazendo neste mundo para ter um futuro em equilíbrio.

Já com 32 anos de idade, pós graduado, atuando como padre desde os 18 e ocupando o cargo de Coordenador do Departamento de Teologia na PUC/RJ, foi que Zeca sentiu necessidade de se reinventar. Deixando pra trás o que lhe era confortável e previsível para uma nova vida de descobertas e experiências em um novo mundo. Foi necessário desaprender e desapegar de tudo que havia construído para se jogar de cabeça nas experiências do mundo corporativo, onde atua desde então com consultorias e treinamentos de liderança baseada em pessoas.

A confiança nas relações humanas: Reaprender

Partindo para a etapa final de sua palestra, Zeca trouxe uma forte reflexão a respeito da confiança. Ela é a grande riqueza das relações entre pessoas e empresas. Porém, você não a exige, você a cultiva. Se a inovação é fruto da colaboração, para que você tenha pessoas realmente engajadas com seus desafios, elas devem confiar umas nas outras e, acima de tudo, na organização que as direciona.

Falou também sobre a relevância das Humanidades sobre todos os aspectos, mas com um viés direcionado à vida corporativa:

  • capacidade crítica e autocrítica
  • compreensão empática do outro
  • exercitar a imaginação criativa

Ter acesso à informação não é o mesmo que pensar. Pensar não é o mesmo que saber. Aprender não é possível sem errar. O corpo só aprende errando e isso faz parte do aprendizado e do processo de mudança. Se você não está preparado para conviver com o erro, não estará pronto para mudar e buscar novas perspectivas.

Sua paixão pela etimologia das palavras, abordada em diversos momentos da palestra, deixou ao final uma mensagem muito importante: para mudar, você precisa “estar disposto”, ou seja, sair do posto, sair da posição original. Você muda quando toma consciência, coloca em ação e repete inúmeras vezes.

E para fechar, deixou a citação de Alvin Toller: “O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender.”

Palavras Finais

Saí do evento com uma alta dose de dopamina, feliz pelo tempo despendido e pelos aprendizados obtidos. Certas verdades, ditas no momento correto, nos fazem pensar e nos dão coragem para buscar a verdade interior.

 

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