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Por que UX Design está relacionado mais com negócios do que com Design?

Há algum tempo eu tenho amadurecido a ideia de que profissionais de UX (User Experience) possuem um perfil muito peculiar dentro do mundo do Design. Um perfil tão diverso e abrangente, que hoje é muito difícil dizer se uma determinada pessoa pode ou não ser UX Designer baseada em uma análise superficial, como "em qual faculdade esta se formou". Explico:

Lembra-se de quando você era criança e associações entre o que você gostava de fazer e o que você seria quando crescesse tornavam o futuro bem simples? "Gosto de desenhar, vou ser ilustrador", "Gosto de filmes, serei cineasta" ou "Gosto de aventuras, serei policial". Tudo parecia tão racional e pragmático que qualquer associação de ideias como esta fazia (e ainda faz) bastante sentido.

Mas aí temos um problema: hoje em dia toda e qualquer rotulagem ficou naturalmente mais complexa. Especialmente no ramo da Experiência do Usuário e do Design de Interação onde atuo, tenho visto uma variação grande de perfis profissionais que encontram neste conjunto de boas práticas (não sei se consigo estruturar UX nesse momento em uma palavra como "profissão" ou "carreira"), uma oportunidade de se encontrar profissionalmente, mesmo que momentaneamente.

Como líder local da IxDA (Associação Internacional de Design de Interação), percebo que existe um interesse muito grande pelas boas práticas do IxD/UX em diferentes níveis e por diferentes profissionais. Cada qual dentro de sua área de atuação percebeu que pode tirar vantagem da visão holística do Design para si próprio e para sua empresa, conectando seus problemas, desejos e necessidades com as ferramentas do Design para extrair algo novo, o que é incrível!

Já vi advogados e ativistas sociais terem ideias maravilhosas em sessões de design thinking, professores discutindo profundamente sua profissão e sentindo empatia por seus alunos a partir de entrevistas em profundidade, desenvolvedores e cientistas da computação se preocupando com as necessidades dos usuários e como os mesmos encontrarão facilidade em seus sistemas. Publicitários e profissionais de marketing deixando sessões de brainstorming mais significativas e conectadas com o negócio, entre outras tanta situações. Os exemplos vão longe e são cada vez mais expressivos.

Obviamente, sempre haverá espaço para o especialista. Um profissional graduado em Design provavelmente encontrará atalhos em UX e desenvolverá o mindset necessário para atuar profissionalmente mais rápido, e talvez mais naturalmente, que um engenheiro ou um professor de história, mas o meu ponto aqui é outro. UX tem muito menos a ver com ferramental e muito mais a ver com o negócio ou com o problema que se pretende resolver.

Eu me graduei em Publicidade, entretanto desde o principio da minha carreira, me preocupei em resolver questões muito mais complexas do que simplesmente definir qual seria o tom da campanha a ser desenvolvida. Ousava fazer planejamento, gostava de analisar números, entender como a mídia funcionava e se o cliente realmente estava vendendo mais. Posso dizer que minha pós-graduação em Design de Interação, realizada pouco tempo depois, foi apenas uma consequência de um mindset que eu já havia estruturado há muito tempo.  Certamente não havia me dado conta de que isso existia ou que essa carreira possuía um nome.

Pensando nisso gostaria de deixar 3 pontos para reflexão:

1) Se você já atua como IxD/AI/IxD provavelmente se identifica com alguns dos pontos que levantei neste artigo. Então amadureça essa cultura internamente e lute por posições ainda mais estratégicas. Faz MUITO sentido.

2) Se você não atua, pretende atuar ou gosta das boas práticas da profissão, reflita sobre sua postura. Você está levando as discussões ao nível necessário? Experimente olhar para tríade Mercado, Negócio e Pessoas (ou usuários) e reflita se tem algo faltando em alguma dessas pontas. Trabalhe nisto.

3) Se você quer contratar alguém com esse perfil não olhe apenas para o currículo ou portfólio desse profissional. Existem competências que não podem ser simuladas no Axure ou ilustradas no Photoshop, afinal, como James Garret mostrou, a interface é apenas um dos elementos da experiência do usuário. Olhar para as necessidades das pessoas e os objetivos do negócio não é apenas a base de qualquer empresa, mas também fundamentais para qualquer profissional com visão holística. Se ele é designer ou não, sinceramente, é apenas um detalhe.


Por Bruno Duarte
Designer de Experiência na A2C

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