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Eleições 2014: As redes sociais apontam as mesmas tendências das pesquisa oficiais?

As mídias – sociais e tradicionais – têm sido enfáticas ao comprovar o alto grau de eletricidade, na falta de um termo melhor, que está dominando o cenário eleitoral brasileiro. Desde o falecimento de Eduardo Campos, o surgimento de uma nova candidatura encabeçada por Marina Silva alterou de maneira dramática a própria dinâmica da corrida rumo ao Planalto.

Veja, por exemplo, os resultados das pesquisas Datafolha feitas nos dias 18 e 29 de agosto, ambas já considerando Marina Silva:

Em uma simples leitura: Dilma e Aécio minguaram – este último de maneira bem mais expressiva – e Marina passou a assumir o posto de favorita.

Pesquisas, no entanto, são o retrato de um determinado período ilustrando intenções de voto. Tanto que, nas pesquisas divulgadas nessa quarta-feira, 3/9, Dilma já recuperou teremo e Marina parou de crescer.

Mas o que faz um cidadão declarar o seu voto? A pauta pública (e, portanto, o quanto um determinado candidato faz parte do cotidiano de discussões do cidadão) e o alinhamento entre opiniões e posições.

É aqui que entra a análise de redes sociais. viabilizada pelo Monitor Eleitoral.

Identificando a pauta pública

A pauta pública é facilmente espelhado pelas redes sociais por meio da contagem simples do volume de menções feitas a cada candidato. Quanto mais um candidato crescer, mais ele está fazendo parte da pauta pública; quanto mais ele diminuir, menos está sendo debatido (e, portanto, considerado) pelos eleitores.

De fato, Marina Silva cresceu de maneira impressionante entre os dias 18 e 29 de agosto. No dia da última pesquisa do Datafolha, aliás, 55% das menções sobre os três candidatos eram sobre ela.

Só que, depois da pesquisa, essa proporção diminuiu, chegando a 50%. Quem cresceu, nesse caso, foi Aécio Neves.

Embora ainda represente um cenário de dominação absoluta de Marina Silva, essa análise mostra uma mudança importante na pauta pública que, embora ainda timidamente, começa a destacar mais o candidato tucano.

Empatia

A quantidade de menções, claro, está longe de ser o único fator a definir uma intenção de voto: a empatia, o grau de identificação entre as propostas de um candidato e o eleitor, tem peso igualmente relevante.

E, aqui, vale apenas destacar alguns dos fatos que marcaram os últimos dias dessa corrida rumo ao Planalto:

1 – Debate entre os candidatos realizado pelo SBT, Jovem Pan, UOL e Folha (http://bit.ly/1oyF7oz)

2 – Mudanças no plano de governo de Marina Silva, retirando propostas em defesa dos homossexuais (http://bit.ly/1u167DB)

3 – Declaração de Marina Silva de que tomava decisões de acordo com a Bíblia (http://bit.ly/1nOZsGG)

4 – Entrevista da candidata Marina Silva ao Jornal da Globo ( http://glo.bo/1qyEVK3)

5 – Recusa da candidata Dilma em participar da entrevista ao Jornal da Globo, o que fez a emissora transmitir apenas as perguntas que seriam feitas a ela (http://glo.bo/1BaH5nM)

O resultado desses 5 pontos foram nítidos na análise de saudabilidade social (resultado da fórmula que divide o total de menções positivas a um candidato pelo total de menções gerais feitas a ele):

Desde que Marina começou a despontar nas pesquisas, as campanhas de Aécio e Dilma – o que inclui as suas respectivas militâncias – passaram a mirar na nova chapa do PSB. Somando isso aos pontos listados acima, ela chegou a uma saudabilidade de apenas 5% ao final de 01/09. A candidata cresceu no dia 2 – mas permaneceu significativamente abaixo de suas médias históricas.

Dilma, por sua vez, conseguiu frear a queda já no dia 1 – mas os reflexos da sua recusa em participar da entrevista na Globo a fez fechar o período com tendência de queda.

Finalmente, Aécio Neves também vem perdendo saudabilidade, tendo fechado o dia 2 em 62% (entre Marina e Dilma).

Que leitura se pode fazer? Sendo prático: a de que o cenário eleitoral não está, nem de longe, definido. Mesmo antes das pesquiss divulgadas nessa quarta-feira, 3/9, as redes sociais já mostravam apontavam uma espécie de desaceleração (ou mesmo queda) no crescimento de Marina Silva.  Por outro lado, isso não significa que ela deixe o favoritismo no futuro próximo: tudo ainda dependerá da eficácia das estratégias de todos os candidatos.

Um fato, no entanto, é inegável: o jogo eleitoral neste pleito – o mais digital que já houve na história do país – parece estar sendo definido no mesmo ritmo eletrizante que caracteriza o próprio dinamismo das redes sociais: a cada dia, a cada nova declaração sendo feita e cada nova “verdade” sendo viralizada.

Por Ricardo Almeida

Publicado em 04/09/2014 no IDG Now 

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